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30.3.09

E tu, itas?

Bzzzt! Ando chocado tecnologicamente com o Twitter (com licença, vou só aqui à janelinha ao lado a ver se não me enganei a escrever a palavra... que não, não me enganei, siga a prosa), mais uma ferramenta ao dispor dos cibernautas e outros viciados na Internet, mais um espantoso instrumento de comunicação e, já me tentarem fazer crer, também a plataforma que já alimenta e na qual, num futuro assim mais ou menos imediato, assentarão todos canais e os órgãos de informação.

Bzzzt! Antes do primeiro Sócrates ter anunciado que ia chocar o país tecnologicamente, já eu andava chocado com algumas novidades da Internet. Logo no boom nacional da dita, com o aparecimento dos primeiros chats, mircs ou pircs ou lá como se chamava aquilo, tentaram fazer-me acreditar que a net ia varrer imediatamente (assim mesmo, do dia para a noite) do mapa todo o género de comunicações e meios de informação tal como eram conhecidos. Depois, com a evolução do processo para o Messenger até me disseram para acabar com o telefone em casa, quanto muito podia manter o telemóvel, porque o sem fios seria adaptável a esse espantoso salto tecnológico, como efectivamente é, devo reconhecer, embora o meu sem fios continue orgulhosamente a servir para as mesmíssimas funções: fazer e receber chamadas, enviar e receber umas sms.

Bzzzt! De choque em choque, continuo a comunicar-me pelo telefone com fios, continuo a ver televisão no televisor, continuo a ouvir cd's (e o vinil só está parado por uma questão de preservação da colecção que me custou muito dinheirinho), continuo a ler jornais, revistas, livros, etc... em papel, continuo a ouvir rádio num rádio, continuo a cozinhar no fogão, continuo a guardar a cerveja no frigorífico, e continuo, acima de tudo, a preferir falar olhos nos olhos com toda a gente, sem ter a mínima pachorra para um Twitter que evoluirá para um outro estado de graça até dar a vez a outra coisa qualquer. Até lá, sigo na minha, a pensar que somos um povo muito evoluído a consumir estas coisas da tecnologia, mas não abram a boca de espanto nem me espanquem sempre que disser: «Eu? Não, não tuíto... Porquê, tu itas?»

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