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8.8.08

Cenas...

Já não morro sem os ter visto, mas mais um bocadinho e morria a vê-los! A A. pegou na situação e pintou um cenário do caraças a uma tia minha: «Ele emocionou-se, foi o que o que foi». A minha tia afligiu-se, disse-me para eu não me emocionar, para ter cuidado e ir ao médico e, como sempre, lá foi ela a viajar pelo tempo, «meu rico menino, parece que o estou a ver quando era pequenino, quando me desapareceu na praia, e fui dar com ele a chorar, meu rico menino, ai, que ele era mesmo pequenino, ó A. havia de o ver, coitadinho, na praia de Leça, ele estava à minha beira e, de repente, deixo de o ver, e ai, onde é que ele está, e lá fui dar com ele, a chorar, era pequenino, estava todo nuzinho, com a pilinha ao léu, e o que ele chorava...» Uf!
Mas vamos ao fundamental: quase morria a vê-los porque, de repente, a meio do (sejamos amigos) concerto dou comigo indisposto e a dizer à A.: «Não estou bem». Calei-me, retirei-me, ela atrás de mim, a tirar-me a máquina fotográfica e o telemóvel da mão, e eu a retirar-me, quase aos tombos... Fui, fui, fui e quando não pude ir mais, foquei o chão e atirei-me. Apagado. Uma quebra de tensão arrumou comigo. Quando despertei, foco uns óculos, uma boina e uns olhos que não engavam, e ouvi a voz: «Ehhhh pá, eu quando fumo muito também fico assim... Já me deu isso muitas vezes.» Tentei mandá-lo para a quinta pata do cavalo do Napoleão, mas não tinha forças para desatinar e optei por outra estratégia: «Pois, pá, mas eu não fumei nada... Pois, pá, a mim também me dá muitas vezes...» Mas o preocupado só arredou pé quando chegaram três diligentes elementos do piquete da Cruz Vermelha: um quis desapertar-me o casaco que já estava desapertado, outro, acho eu, deixou-se estar a ver o aparato, e o terceiro ria-se para mim enquanto perguntava: «Bebeu? Já comeu? Comeu bem?». Que não, que sim, que sim, respondi-lhe. «Mas vá ali ao posto, que eles medem-lhe as tensões», e eu lá me fui pondo de pé, dois deles a ampararem-me... «Vai lá ao posto», insistiu a A., e para lhe fazer a vontade, eu ia ao posto, e posto isto dou comigo já sem os Cruz Vermelha ao meu lado, às malvas mais o posto, fui para a casa de banho, aliviei a bexiga, lavei a cara e ouvi a A. contar-me: «Ó pá, aquele rapaz, eu ali aflita e grávida, ele e tu falarem, aquilo não fazia sentido, e ele a perguntar-me se eu precisava de ajuda, e eu a pedir-lhe para ir buscar um pacote de açúcar, mas ele só falava contigo e tu a falares para ele...»
Entretanto, a minha tia disse-me ainda para deixar o tabaco.

Já não morro sem os ter visto

Ponto final. Já não morro sem os ter visto, e passou uma semana desde que os vi. No dia seguinte, a I. perguntou-me: «Então, o que é que achaste?» Vi o que estava à espera de ver, três mortes lentas e uma quase morte lenta (o baterista) em cima do palco... Sinceramente, desde o primeirinho segundo em que soube que eles vinham por aí, pensei que nem Viagra ou Pau de Cabinda resultariam contra a impotência que lhes baixou o cano há muito, muito tempo, e do (sejamos amigos) concerto, prefiro reter o efeito: Sex Pistols, o produto comercial ainda resulta — em ano de cartaz bastante discutível, o festival arrancou cheio de gente que foi lá de propósito para os ver, gente iludida ou não, gente consciente ou não daquilo em que se estava a meter.