
O meu amigo Cristiano meteu-se a brios e por estes dias foi de bicicleta do Porto a Madrid, num pelotão pequeno, ele e mais uns colegas do trabalho. Há uns meses, quando ele me falou sobre essa empreitada, dei-lhe moral, mas só depois de fazer aquilo que os amigos devem fazer sempre nestas circunstâncias: desatei no gozo, «bike te faz bem», chalaceei, chegando a admitir-lhe que eu passaria a acreditar em Fátima se ele realmente fosse de bicicleta a Madrid.
A esta hora, e sem pretender ferir consciências ou beliscar devotos, que a gente nunca sabe quem anda por aí a espreitar os blogues à malta, Fátima não ganhou mais um fiel. Mas passei a admirar ainda mais o meu amigo Cristiano pela perseverança dele. Saber que ele foi a Madrid em cima de uma bicicleta e a pedalar mesmo os quilómetros todos que vão do Porto à capital espanhola, não me surpreendente nadinha. E é assim porque este meu amigo há muitos anos colecciona momentos de determinação, de uma força de vontade tão forte que chega a ser contagiante.
Estou contente pelo Cristiano, um bestial, um irmão dos irmãos, um irmão dos amigos e um tipo com uma pedalada do caraças para ser e fazer outros felizes. Pessoas assim, julgo, são mais raras que milagres. Sem ofensa, prefiro acreditar nas pessoas.
PS — Acabo de apanhar o Cristiano de agulha espetada no braço. «É pá, liga-me daqui a um bocadinho... Estou a dar sangue», justificou-se.
