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28.4.07

Mudam-se as palavras

«Autoridades policiais atentas à concentração pró-salazarista em Santa Comba Dão

28.04.2007, Maria Albuquerque

Manifestação é hoje, no Largo do Município, em defesa do anunciado Museu do Estado Novo. GNR reforça meios a manter no local

Saudosistas de António Oliveira Salazar concentram-se esta tarde, a partir das 14h00, no Largo do Município de Santa Comba Dão, em defesa do anunciado Museu do Estado Novo e para celebrar o 118.º aniversário do nascimento do ditador. Para garantir a manutenção da "ordem e da tranquilidade públicas", a Guarda Nacional Republicana (GNR) vai reforçar os meios e manter no local o "dispositivo adequado" à situação.O comandante da GNR no distrito de Viseu, tenente-coronel Amaral Dias, não fez qualquer estimativa sobre o número de pessoas que poderão estar presentes na concentração convocada pelo Movimento Nacionalista Terra Identidade e Resistência.(...)»

Extraí este pedacinho de uma notícia publicada na edição de hoje do «Público». Quando a li pela primeira vez, dei comigo a coçar a cabeça. Ora, como está provado cientificamente que não tenho piolhos, nem anda praga na cidade do Porto, descobri depressa o parasita que me provocava o gesto... «Movimento Nacionalista Terra Identidade e Resistência».
Por mim, as pessoas são livres de pensar e de dizer o que pensam e compreendo que haja saudosistas, que haja prós-isto ou prós-aquilo, mas dá-me cabo da retina ver estas duas palavras no mesmo lado da trincheira: nacionalista e resistência. Sempre achei que a primeira andava nas ruas, monstruosa e de costas quentes, à procura da outra para a calar. Enfim, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mudam-se as palavras, mudam-se as memórias, mudam-se as histórias...

27.4.07

José Mário Branco


Na segunda-feira, dia 30 de Abril, à saída deste mês e à entrada de mais um Maio maduro, José Mário Branco vai actuar na Casa da Música, acompanhado por uma carrada de gente menos ilustre ─ e devo ser sincero, alguns dos que vão subir ao palco não faço a mínima ideia quem são. Para mim é irrelevante quem fará pano de fundo neste concerto, o que me interessa mesmo é ver e ouvir José Mário Branco, referência de irreverência, resistência, liberdade e, também muito importante para mim, alguém que caminhou lado a lado com José Afonso. Há trabalho de José Mário Branco na obra superlativa de Zeca, e se não tive oportunidade de ver Zeca ao vivo ─ por desvios de destinos, nem em pequeno passei em espectáculos dele (e lembro-me muito bem do ar pesado lá em casa quando Zeca morreu) ─, tenho agora a oportunidade de rever José Mário Branco, que me recordo (e é uma recordação assim fraquinha, fraquinha) de ter visto em criança. Portanto, na noite do dia 30 de Abril, à entrada de mais um Maio maduro, lá estarei na Casa da Música para o concerto de José Mário Branco. E o resto serão cantigas...

19.4.07

O motorista de táxi


Eu sei muito bem que tenho concorrência fortíssima em matéria de contar histórias com/sobre taxistas, mas esta é fresquinha e tem pronúncia do Norte e tudo, carago. Passou-se assim: uma noite destas fechei a loja no trabalho e dei corda às sapatilhas (novas e «giras», como fez toda a questão de me dizer a minha A.) para ir dar um abraço a um bom amigo que celebrava o seu aniversário. Decidi ir de táxi... Disseram-me que os carros andam mais depressa que as sapatilhas. Segue-se a viagem, em formato de escuta telefónica da PJ:

Táxi — Vrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, iiiinnnnnnc.
Porta do táxi — Chlunc... Nhééééé... Clanc!
Cinto de segurança — Ssssslllllllllllt...
Eu — Boa noite, amigo!
Cinto de segurança — Clic!
Taxista — Boa noite!
Eu — Olhe, vou para a Praça da República... Quer dizer, na verdade vou para uma rua à beira da Praça da República, mas o problema é que não sei o nome da rua... Mas posso ficar na Praça da República, que vai dar ao mesmo...
Taxista (já com a viatura em marcha e a central aos gritos) — Muito bénhe! Bámos à Praça da República e depois metemos prá rua...
Eu — Pois, mas é que essa rua... Não dá para entrar pela praça, a rua desemboca na praça... Está a ver o Pingo Doce da praça? Um pouco mais à frente da postura dos táxis, do lado direito, depois do cruzamento com Álvares Cabral...
Taxista — Olhe, já se lixaram...
Eu — Como?!
Taxista — Num biu ali o carro da polícia... Aqueles já comem. Cámbada do caral...
Eu — Pois, andam para aí a dar-lhe chispa...
Taxista — Esses polícias do caral... Mas, ó amigo, pode falar que eu estou a oubire... Cámbada de merda... Noutro dia f...-me béim, esses filhos da p... Bócê num quer ir para Mártires da Liberdade? Podemos ir a Cedofeita e à rua dos Bragas... Débe ser para aí que bocê bai... Mas olhe que me f...ram mesmo...
Eu — Às tantas é isso, devo ir para aí, para onde está a dizer, mas posso ficar na Praça da República...
Taxista — É que eu binha ali pró Marquês, mas deu-me buntáde d'ir à casa de bánho, e eu só posso ir à minha, porque num posso limpar o cu com papel, e fiz inbersóm de marcha e, carago, um gajo tem mesmo azar, num bi a polícia, que me mándou parar... Eu disse-lhe, «ó sô guarda, eu tou aflito, preciso d'ir à casa de bánho e só posso ir à minha porque num posso usar papel», mas o gajo disse-me «entóm bócê faz assim uma inbersóm», e eu disse-lhe «mas num binha ninguénhe, foi em seguránca e porque estou aflito», mas nada, ele começou logo a escreber...
Eu — Pois...
Taxista — Pois, nada... Eu disse ó gajo, «é que, tá ber, tibe de ser operado, muitas pessoas pensam que é coisa dos intestinos, mas num tem nada a ber, era uma coisa que tinha, que pode ser até um pêlo incrabádo, e eu num posso usar papel, tenho de labar no bidé, como as mulheres, sô guarda, e com sabóm de barra», mas o gajo nada...
Eu — Pois...
Taxista — Entóm bámos a Cedofeita que eu sei o caminho...
Eu — Vá à vontade, amigo, vá à vontade...
Taxista — Olhe, eu bem disse ó gajo a berdade, mas num adiantou... É que, tá ber, fui operado, muitas pessoas pensam que é coisa dos intestinos e num tem mesmo nada a ber, é uma coisa que se forma e tánto pode ser no cu como noutro lado, isto num é nada com os intestinos...
Eu — Pois, pois... Compreendo, compreendo, amigo, é um desconforto do caraças...
Taxista — Ui, mas é que bócê nem imagina amigo... Tá ber, débe ser para aquela rua que bócê quer ir, num é?
Eu — É isso, é... Fantástico!
Taxista — Porque só me posso mesmo labar com sabóm, enquánto tiber os pontos, diz que é melhor assim, porque o papel raspa e um gajo pode ganhar ferida... Com o sabóm nom, mas é f...ido, um gajo tem d'ir pró bidé como as mulheres... E esses gajos, a polícia, num quer saber, f...-se, cámbada do caral... Até lhe mostrei esta almofadinha, tá ber, é pra num magoar tánto o cu... Mas nada, f...-se lá pró caral...
Eu — Claro, claro...
Central — Marechal Gomes da Costa... Zzzt! Marechal Gomes da Costa... Zzzt!
Taxista — Beja lá, é aquie?
Eu — Isto mesmo, é nesse prédio aí... Mais à porta não podia ser...
Táxi — Vrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, iiiinnnnnnc.
Taxista — Ora muito bem...
Cinto de segurança — Chloc... Ssslllllllllt, ponc.
Eu — Ó amigo, pague-se...
Porta do táxi — Chlunc... Nhééééé...
Taxista — Olhe que tem cinquenta cêntimos de troco...
Eu — Deixe estar, fica para a multa ou para o sabão. Boa noite, amigo...
Taxista — Obrigado, boa noite...
Porta do táxi — Nhééééé... Clanc!
Táxi — Iiinc. Vrrrrrrrrrrrrrrrrr...

17.4.07

Vizinhos

Na minha casa nova, no Porto, posso dizer que me sinto mesmo bem e que tenho uns vizinhos cinco estrelas. Eles no pátio deles, eu no meu pátio, muitas vezes ficamos à conversa, sobretudo eu com o meu vizinho, que tem sempre uma história nova para me contar, uma recordação para partilhar, um sorriso para oferecer e até mesmo umas flores para me dar, «para pôr a casa mais bonita para vocês, para que sejam ainda mais felizes aí, como o casal que aí já viveu, que era mesmo muito, muito feliz». Construí, rapidamente, cumplicidade com os meus idosos vizinhos, quase os vejo como espécie de meus avós, eu que não conheci os meus avós, mas que ainda andei ao colo da minha avó paterna, como me dizem umas fotos antigas que a minha querida mãe guarda religiosamente. Enfim, posso dizer que eu e a minha A. tivemos uma sorte bestial de ter uns vizinhos tão sensacionais.
Mas há dias, passou-se assim: eu e a A. fumávamos um cigarrito a um canto do pátio onde o sol bate pelo princípio da tarde, quando o meu vizinho surge no pátio dele. Eu vestia roupão, ainda não tinha tomado banho, e atrás de mim secava roupa que metemos a lavar, julgo eu, na noite da véspera ou logo pela manhã. Agitei-me, dei um jeitinho ao roupão, espreitei por entre os vasos e uns fetos que trepam o muro que separa os dois pátios, abri um sorriso, preparei um «boa tarde» e... calei-me bem caladinho quando percebi que o meu vizinho, apesar de ter olhado para mim, não me viu. Fiquei e mantenho-me convencido que ele me confundiu com roupa a secar.

Tormes

Ainda me passou pela cabeça ir buscar o livro para reproduzir uma ou outra passagem do mesmo, mas reflecti com os meus botões (incluindo os do fogão, porque enquanto pensava nisto despachava dois peixinhos assados com batatas, só para testar o forno, que é usado, mas novo na minha vida e, comprova-se, está muito bom e recomenda-se) e decidi que, se quiserem mesmo saber ou rever, vão mesmo vocês procurar o livro e leiam-no de ponta a ponta. Eu já o reli e sempre descobri nele qualquer coisa que me escapou na leitura anterior. Por exemplo, certa altura ─ foi para aí na segunda vez que o li ─ deu-me para procurar informação e saber que, cem anos depois de Jacinto, podemos fazer, mais ou menos, o mesmo caminho que Eça de Queiroz fez quando visitou Tormes (Santa Cruz do Douro) pela primeira vez e reproduziu essa experiência em «A Cidade e as Serras», uma das obras póstumas do escritor ─ Eça nasceu em 1845 na Póvoa de Varzim e morreu a 16 de Agosto de 1900, em Neully, arredores de Paris, França.
Fiz o Caminho de Jacinto completo para aí umas três vezes e já o fiz parcialmente para aí outras tantas. Há dias, fiz o Caminho de Jacinto completo, novamente e na excelente companhia de um dos meus melhores amigos (daqueles que classificamos como irmãos) e um amigo desse meu amigo. Subimos a Tormes com calor, descemos debaixo de chuva e trovoada, ou seja fizemos a coisa... em dois tempos e com todo o tempo do mundo para nos perguntarmos: que raio andou a fazer a câmara de Baião nos últimos anos para se esquecer (ou lembrar-se de se esquecer) do Caminho de Jacinto, da Casa de Tormes, de Eça de Queiroz, das pessoas que dedicam a vida àquela terra, àquela casa, à memória do escritor, etc, etc... A câmara, nas últimas autárquicas, mudou de mãos e diz que está em marcha um plano para transformar radicalmente a zona, para lhe atrair vida e turismo. Há um hotel quatro estrelas a nascer por ali, as casas da REFER também vão ter parte no assunto, mas quem é de lá queixa-se do andamento das coisas e faz mesmo lembrar Jacinto quando este dizia ao amigo inseparável: «Que seca, José Fernandes!»
Já o meu amigo que é como meu irmão comentou: «É coisa com três velocidades, devagar, devagarinho e parado». Esteve bem o meu amigo, pelo menos a avaliar pela concordância do nosso simpático interlocutor, pessoa da terra, da serra que há mais de cem anos absorveu o Jacinto de Paris, ou seja, ele próprio, Eça de Queiroz.

PS O que tem tudo isto a ver com a cidade do Porto? Bem, estava no Porto quando fui esta última vez a Tormes, o meu amigo que é como meu irmão é agente de condução do Metro do Porto e o amigo dele também. Está justificado!

3.4.07

O Paulo «Maluco»

Havia um bar na Rua da Boavista com nome sugestivo: Forrobodó. Uma noite, pelos meus 16/17 anos e com um ou dois amigos, fui lá ver um concerto, julgo que de uma banda de rock'n'roll. Não me lembro da banda; recordo-me perfeitamente do forrobodó que foi aquela noite. O Paulo «Maluco», mais velho que eu e que me viu crescer atrás do meu irmão punk, estava por lá com uns foleiros sem cabelo que eu sempre abominei e avisou-me: «Ó pá, olha que isto vai ficar feio, os gajos não vão acabar a primeira música, isto vai ser uma confusão dos diabos, mas a ti ninguém te toca que eu não deixo, era o que faltava, ai do gajo que te puser a mão, mas tu põe-te para ali, para a beira da porta e dás à sola logo que a coisa comece, é só deixares passar o portas e piras-te sem pagar». Dito e feito. Confusão geral a meio da primeira música, eu já de mão na porta, pé na rua e pernas quase a bater no pescoço, Rua da Boavista abaixo e a maldizer esses foleiros dos sem cabelo (com quem, noutras circunstâncias, cheguei a travar-me de razões). Às tantas, chamam-me: «É pá, espera aí...» O Paulo «Maluco» explica-se: «F...-se, meu, conheço-te desde pequeno, o teu irmão é um gajo do caraças, é o único punk que respeito e não fiquei descansado, tive de vir atrás de ti, para ver se estavas bem». Na altura, pensei que o Paulo se tinha posto ao fresco com medo de qualquer coisa no meio do forrobodó no Forrobodó, mas muitos anos depois, continuo a cruzar-me com ele e a ouvir dele as mesmas palavras de amigo. Raramente caminhámos juntos, mas crescemos na mesma terra, Leça da Palmeira — a melhor do Mundo —, ali para os lados do Batô — a melhor discoteca do Mundo. Hoje, o Paulo, absolutamente desligado dessas taras e manias imbecis dos cabeças depiladas, ainda me trata com a mesma preocupação e deferência que manifestava nos meus dias de adolescência, com o mesmo jeito de pôr um sotaque frique nas palavras, com o mesmo sentido de amizade que sempre me teve.
Lembrei-me do Forrobodó por causa de me lembrar do Paulo, um bom amigo a quem chamavam de «Maluco».

Estação do Bolhão!

Está decidido: não há estação do metro mais portuense que a estação do Bolhão!

Ribeira de perdição

Tenho saudades de ir à Ribeira, de beber uma cervejinha no Está-se Bem e da paciência do sr. Adriano e do sorriso permanente da dna. Carminho, de fazer o circuito dos bares com os amigos — Aniki-Meia Cave-Mercedes —, de subir, às vezes, ao Ribeirinha e de parar, depois e quase sempre, no Cubo, com a garrafa de litro ou simplesmente já sem nada para beber mas ainda com muito para conversar, de fazer horas para o autocarro, de regressar a casa sem pressa de cair no sono, de esperar com ansiedade pelo fim-de-semana seguinte, por uma rotina que nunca cansava, por uma Ribeira de perdição que deixaram que se perdesse.

1.4.07

Tem dias!

A música chegou ao fim e ela estava em lágrimas. Um poema, um bom poema, é assim mesmo, toca-nos na alma. E naquele momento, só queria ser aquele poema que lhe tocou assim tão fundo na alma. Mas pronto, nem sempre é possível e também eu tenho dias e noites em que não me recomendo...

(Ah, e com esta, faço um intervalo nas minhas experiências vividas na Casa Música)

Porto Sentido à nossa moda!

«Quem bem
e atrabessa o rio
Junto à Serra do Pilar
Bê um belho casario
Que se estende
até ao mar...»

Depois de passar pela Casa da Música, onde fui ver o Rui Veloso actuar para uma plateia repleta de gente-set, decidi que a melhor forma de limpar a alma era trocar o vês pelos bês ao cantar o Porto Sentido. E conclui que, realmente, esse hino à cidade deveria ser mesmo assim, cantado com bês no lugar de todos os vês, mas o Tê é que é o autor da letra e, pronto, respeitemos o homem e a sua obra, coisa que, claramente, a plateia de gente-set que encheu o auditório principal da Casa da Música não fez, nem em relação a Tê, nem em relação a Veloso. O Rui deu-lhes muita música e tocou muita música da boa. E essa gente-set, acreditem, apreciou mais... a primeira.

Onde o leão afiambra a águia

Há dias, fui à Casa da Música. Fui duas vezes seguidas e até me vesti melhor um bocadinho para ir lá, nestas vezes com a certeza que me deixavam entrar e percorrer mais à vontade o arrojado equipamento que ergueram na Praça Mouzinho de Albuquerque. Na minha primeira visita à Casa da Música, fui lá por questões de ordem profissional e quase não passei da porta. Acontece, pensei eu, mas a verdade é que depois disso poucas vezes a Casa da Música me apelou. Enfim, já lá voltei, como disse, e aproveitei para confirmar, noutra perspectiva, uma ideia que tive: à noite, a rotunda da Boavista deveria ser designada como rotunda do não-se-vê-a-ponta-de-um-corno; ou rotunda do não-se-vê-nada, conforme as sensibilidades. Na rua, o jardim da Boavista convoca reuniões de bruxas assim que o Sol se põe; visto do interior da Casa da Música, o jardim da Boavista parece que vai vomitar mil demónios de dentro do seu bréu. Já que vai havendo dinheirito para gasear um pouco mais a cidade e brincar aos carrinhos de corrida na Avenida da Boavista, será que não se arranja uns troquitos para dar um pouquinho mais de luz ou vida às noites do jardim da rotunda e respectivo monumento onde o leão afiambra a águia? (E, já agora, se não é pedir muito, espalhava-se a coisa pelos outros jardins da cidade).

1 de Abril

Hoje, 1 de Abril, bámos dizer aos janotas da cámbra que gostamos munto, munto deles! E biba o presidente Rio, carago, que o hóme bê-se que tem queda!

Buracos financeiros?

À conta de uma mudança de casa, desconfio ter arranjado uma lombalgia e esmagado um músculo qualquer da grade costal. Nada de grave, nada que uma boa pomada e um bom par de mãos não resolvam. Medicina e um pouco de carinho recomendam-se nestes casos, e neste pormenor, de nada me queixo. Mas o que me arrasa, mesmo, é ter de percorrer as ruas desta cidade, as de paralelo, completamente irregulares e cheias de buracos, as de alcatrão, completamente esburacadas. O Porto está permanentemente em obras e arrepiante é ver que a cidade, apesar de tanta intervenção, não avança, ou, pelo menos, não se apresenta mais bonita nem mais viva. O que me projecta o pensamento para o território das interrogações: quem ganha (e quanto ganha), realmente, com tanto buraco que se abre nesta cidade? Vou comprar cotonetes, fita-cola e duas lanternas para investigar...