Ainda me passou pela cabeça ir buscar o livro para reproduzir uma ou outra passagem do mesmo, mas reflecti com os meus botões (incluindo os do fogão, porque enquanto pensava nisto despachava dois peixinhos assados com batatas, só para testar o forno, que é usado, mas novo na minha vida e, comprova-se, está muito bom e recomenda-se) e decidi que, se quiserem mesmo saber ou rever, vão mesmo vocês procurar o livro e leiam-no de ponta a ponta. Eu já o reli e sempre descobri nele qualquer coisa que me escapou na leitura anterior. Por exemplo, certa altura ─ foi para aí na segunda vez que o li ─ deu-me para procurar informação e saber que, cem anos depois de Jacinto, podemos fazer, mais ou menos, o mesmo caminho que Eça de Queiroz fez quando visitou Tormes (Santa Cruz do Douro) pela primeira vez e reproduziu essa experiência em «A Cidade e as Serras», uma das obras póstumas do escritor ─ Eça nasceu em 1845 na Póvoa de Varzim e morreu a 16 de Agosto de 1900, em Neully, arredores de Paris, França.
Fiz o Caminho de Jacinto completo para aí umas três vezes e já o fiz parcialmente para aí outras tantas. Há dias, fiz o Caminho de Jacinto completo, novamente e na excelente companhia de um dos meus melhores amigos (daqueles que classificamos como irmãos) e um amigo desse meu amigo. Subimos a Tormes com calor, descemos debaixo de chuva e trovoada, ou seja fizemos a coisa... em dois tempos e com todo o tempo do mundo para nos perguntarmos: que raio andou a fazer a câmara de Baião nos últimos anos para se esquecer (ou lembrar-se de se esquecer) do Caminho de Jacinto, da Casa de Tormes, de Eça de Queiroz, das pessoas que dedicam a vida àquela terra, àquela casa, à memória do escritor, etc, etc... A câmara, nas últimas autárquicas, mudou de mãos e diz que está em marcha um plano para transformar radicalmente a zona, para lhe atrair vida e turismo. Há um hotel quatro estrelas a nascer por ali, as casas da REFER também vão ter parte no assunto, mas quem é de lá queixa-se do andamento das coisas e faz mesmo lembrar Jacinto quando este dizia ao amigo inseparável: «Que seca, José Fernandes!»
Já o meu amigo que é como meu irmão comentou: «É coisa com três velocidades, devagar, devagarinho e parado». Esteve bem o meu amigo, pelo menos a avaliar pela concordância do nosso simpático interlocutor, pessoa da terra, da serra que há mais de cem anos absorveu o Jacinto de Paris, ou seja, ele próprio, Eça de Queiroz.
PS – O que tem tudo isto a ver com a cidade do Porto? Bem, estava no Porto quando fui esta última vez a Tormes, o meu amigo que é como meu irmão é agente de condução do Metro do Porto e o amigo dele também. Está justificado!
Fiz o Caminho de Jacinto completo para aí umas três vezes e já o fiz parcialmente para aí outras tantas. Há dias, fiz o Caminho de Jacinto completo, novamente e na excelente companhia de um dos meus melhores amigos (daqueles que classificamos como irmãos) e um amigo desse meu amigo. Subimos a Tormes com calor, descemos debaixo de chuva e trovoada, ou seja fizemos a coisa... em dois tempos e com todo o tempo do mundo para nos perguntarmos: que raio andou a fazer a câmara de Baião nos últimos anos para se esquecer (ou lembrar-se de se esquecer) do Caminho de Jacinto, da Casa de Tormes, de Eça de Queiroz, das pessoas que dedicam a vida àquela terra, àquela casa, à memória do escritor, etc, etc... A câmara, nas últimas autárquicas, mudou de mãos e diz que está em marcha um plano para transformar radicalmente a zona, para lhe atrair vida e turismo. Há um hotel quatro estrelas a nascer por ali, as casas da REFER também vão ter parte no assunto, mas quem é de lá queixa-se do andamento das coisas e faz mesmo lembrar Jacinto quando este dizia ao amigo inseparável: «Que seca, José Fernandes!»
Já o meu amigo que é como meu irmão comentou: «É coisa com três velocidades, devagar, devagarinho e parado». Esteve bem o meu amigo, pelo menos a avaliar pela concordância do nosso simpático interlocutor, pessoa da terra, da serra que há mais de cem anos absorveu o Jacinto de Paris, ou seja, ele próprio, Eça de Queiroz.
PS – O que tem tudo isto a ver com a cidade do Porto? Bem, estava no Porto quando fui esta última vez a Tormes, o meu amigo que é como meu irmão é agente de condução do Metro do Porto e o amigo dele também. Está justificado!
4 comments:
Tormes... Muita coisa se poderia dizer... Muitas palavras se poderiam usar mas, acho que já disseste tudo meu amigo. A única coisa que posso acrescentar, é o seguinte:
se estiveres a pensar ir lá nos próximos tempos, lê com atenção este aviso.
A PONTE de TORMES em SANTA CRUZ DO DOURO, está cortada ao trânsito...
Agora, o que se pode dizer? A Camara Municipal de Baião (CMB) está a fazer algo pela localidade! Ena! Ena! Ou estará precisamente a fazer o contrário? A Não fazer nada pela Fundação Eça de Queiroz como até aqui? Pelo tempo escolhido, eu atrevia-me a dizer que é perfeito. Ora vejamos, a Primavera já vai alta e o verão está aí à porta. Qual é a época do ano escolhida pelas poucas pessoas que lá vão? Primavera Verão e Outono. Portanto, muito bem escolhida a altura para fazerem as obras.
Ok.
Nunca estamos contentes com nada!
A CMB estará, como até aqui, a olhar pelos seus interesses?
Acredito que seja isso. Se fosse para olhar pelo interesse da Fundação do maior escritor português do século XVIII, a altura escolhida para o efeito seria concerteza outra.
A Camara Municipal de Baião (CMB).
Um Hotel está a ser feito para aqueles lados, dizem as pessoas da terra, que é muito grande e irá ter óptimas condições de alojamento.
Eureka! Achei! O motivo encontrei!
A CMB está apenas a arranjar os acessos para o Hotel!
Já era tempo de fazer algo! Desta vez a pela Fundação, juntando o útil ao agradável, melhorando Os Caminhos de Jacinto e até sugerindo outros percursos pedestres, que serviriam para divulgar o nome da região, do escritor, melhorar o nível de vida dos residentes, dos comerciantes, com novos acessos, já agora, porque não o Hotel? Um Parque de Campismo com o Douro como horizonte, também não ficava nada mal. Afinal de contas nem toda a gente tem uns dinheiritos para gastar no Hotel e com uns troquitos, sempre dá para uma estadia junto ao relvado dentro de uma tenda!
As pessoas que caminham por prazer, não deixam mais do que pegadas, não matam mais do que o tempo, não tiram mais do que fotografias, são pessoas que gostam da mãe natura, portanto, preservam, vigiam e evitam deste modo o vandalismo da natureza!
Assim, deixo aqui um apelo ao Exmo. Sr. Presidente da CMB divulge Tormes e aproveite algumas das sugestões.
Ponto 1
Meu irmão, tens razão quando dizes que nunca estamos contentes com nada. Mas também julgo que há lógica nisto que vou dizer: se a malta não mandar vir um bocado, seja lá pelo que for, então, de certeza, esses imbecis que nos fazem sentir constantemente descontentes estão bem mais à vontade para fazerem das deles. E se assim, com a malta nunca contente com nada, já fazem o que fazem, imagina-se como seria se as coisas fossem de forma ainda mais conveniente para eles: o Zé Povinho bem caladinho, ou toma lá castanha...
Ponto 2
De facto, não há melhor vigilância e segurança para a Mãe Natureza que as visitas que os amantes dela lhe fazem. Mas coça o piolho com isto: por que razão as «entidades competentes» investem só assim-assim (e julgo que até estou a nivelar muito por cima) na preservação ambiental; por que razão floresce o turismo e a construção de luxo em áreas, necessariamente, requalificadas após devastação?
Ah, esqueci-me de uma coisa:
Sei que foi distracção, porque te conheço, mas fica o reparo para quem cá vier e ler os teus comentários: Eça nasceu no século XIX e passou-se para o lado de lá mesmo à entrada do século XX. Está feito o reparo.
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