Há dias, fui à Casa da Música. Fui duas vezes seguidas e até me vesti melhor um bocadinho para ir lá, nestas vezes com a certeza que me deixavam entrar e percorrer mais à vontade o arrojado equipamento que ergueram na Praça Mouzinho de Albuquerque. Na minha primeira visita à Casa da Música, fui lá por questões de ordem profissional e quase não passei da porta. Acontece, pensei eu, mas a verdade é que depois disso poucas vezes a Casa da Música me apelou. Enfim, já lá voltei, como disse, e aproveitei para confirmar, noutra perspectiva, uma ideia que tive: à noite, a rotunda da Boavista deveria ser designada como rotunda do não-se-vê-a-ponta-de-um-corno; ou rotunda do não-se-vê-nada, conforme as sensibilidades. Na rua, o jardim da Boavista convoca reuniões de bruxas assim que o Sol se põe; visto do interior da Casa da Música, o jardim da Boavista parece que vai vomitar mil demónios de dentro do seu bréu. Já que vai havendo dinheirito para gasear um pouco mais a cidade e brincar aos carrinhos de corrida na Avenida da Boavista, será que não se arranja uns troquitos para dar um pouquinho mais de luz ou vida às noites do jardim da rotunda e respectivo monumento onde o leão afiambra a águia? (E, já agora, se não é pedir muito, espalhava-se a coisa pelos outros jardins da cidade).
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